As Sombras

As Sombras

Deve ser incessante a procura do homem pelo seu aperfeiçoamento moral. Cada hesitação, cada deslize, cada queda deverá ser seguida por uma ação em sentido contrário.

Identifica-se nesta situação, a taxa de sombra que carregamos, mas percebe-se que a força de superar – entenda-se, potencialidade – é infinitamente superior, haja vista que há milênios andamos em sombras, mas não nos pacificamos.

A busca interior somente cessará com a plenitude da luz.

Às vezes sentimos o convite de Deus no nosso íntimo, e brota com suavidade a vontade de servir; mas, na inércia dos erros multi-seculares, vêm as vozes das sombras, quer sempre nos envolveram, tentando nos impedir, lembrando as nossas limitações:


Conversado com Deus

Certo dia um inventor ainda moço, sentindo dificuldades para criar, falava consigo mesmo:

- Como deve falar com Deus a respeito do que devo criar? Que, mesmo sendo algo simples, não me sinto apto para executar. Logo a Ele, que tudo criou, do mais simples ao mais complexo. Como falar com a inteligência suprema para servir, se sou tão limitado?

E concluía, de si para consigo:

- Sinto-me incapaz!

Andava assim a pensar e, devido às suas conclusões, cada vez mais se distanciava de Deus e da sua habilidade para inventar.

Quando certo dia, muito abatido, passeando em busca de inspiração após uma prece, deparou-se com um pequeno torneio de pipas e viu uma criança alegre empinando uma pipa toda mal feita, mas recebendo todo o apoio de seu pai, que vibrava dando todo o incentivo possível, como se ela fosse a mais bonita ou a mais alta dentre as outras, quando era justamente o contrário.

Curioso, o inventor aproximou-se daquele pai e perguntou:

- Amigo, desculpe a minha intromissão, mas, observando o torneio algo me intrigou. A pipa do seu filho não é a mais bela, assim como é a que menos consegue elevar-se, mas, ainda assim vocês são os mais alegres e você, então, parece se encontrar diante da perfeição. Por quê?

O pai, com os olhos marejados de emoção, respondeu-lhe com bastante interesse.

- Olhe meu irmão, este que empina a pipa como percebes é meu filho, que traz consigo uma doença congênita de coordenação motora e que, há apenas seis meses, não conseguia sequer segurar os talheres para se alimentar. E era isto que ele, que mal consegue articular as palavras, me pedia com o propósito de conseguir a sua independência em alimentar-se. Hoje, vendo-o empinar a pipa que ele mesmo construiu, os defeitos se tornam tão pequenos que não consigo vê-los. Como pai que sou, para mim é a pipa mais bonita; e, diante das dificuldades suplantadas, é também a mais alta. Sabendo das dificuldades de meu filho, sinto-me diante de um vencedor.

Jesus, o Alentador Divino, tentando nos libertar do julgo das sombras alertou-nos:

“Que brilhe a vossa luz

diante dos homens

para que vejam as vossa boas obras

e glorifiquem ao Pai que está nos céus”

(Mateus, 5:16.)